A saúde é o nosso bem mais precioso, mas, muitas vezes, só passamos a valorizá-la quando surge um diagnóstico difícil. No Brasil, o cenário epidemiológico revela um padrão claro: a maioria das mortes prematuras está relacionada a doenças crônicas não transmissíveis (DCNT). Como enfermeira, acompanho diariamente o impacto dessas patologias não apenas no corpo do paciente, mas na estrutura de famílias inteiras.
A boa notícia? Grande parte dessas condições pode ser evitada ou controlada com mudanças de hábito e acompanhamento preventivo. Doenças Metabólicas: Causas, Sintomas, Diagnóstico e Como Prevenir Este guia foi elaborado para oferecer uma visão técnica, porém humana, sobre as 5 doenças que mais matam no Brasil, detalhando como você pode se proteger e garantir longevidade com qualidade de vida.
1. Doenças Isquêmicas do Coração (Infarto Agudo do Miocárdio)
As doenças cardiovasculares ocupam o topo do ranking de mortalidade no Brasil há décadas. O infarto agudo do miocárdio ocorre quando o fluxo sanguíneo para uma parte do músculo cardíaco é interrompido, geralmente devido ao acúmulo de placas de gordura (aterosclerose) nas artérias coronárias.
O Olhar da Enfermagem:
No pronto-socorro, vemos que muitos pacientes ignoram sinais sutis. O coração costuma avisar. O cansaço excessivo aos pequenos esforços, o desconforto no peito que irradia para o braço esquerdo ou mandíbula e a sudorese fria são sinais de alerta máximos.
Como Prevenir:
- Controle da Pressão Arterial: A hipertensão é a “assassina silenciosa”. Mantenha sua pressão em torno de 12/8 mmHg.
- Alimentação Cardioprotetora: Reduza o consumo de sal e gorduras saturadas. Priorize fibras e gorduras boas (como o azeite de oliva).
- Abandono do Tabagismo: O cigarro danifica as paredes das artérias e aumenta drasticamente o risco de coágulos.
- Atividade Física: O coração é um músculo; ele precisa ser treinado. 150 minutos de caminhada por semana já fazem a diferença.
2. Doenças Cerebrovasculares (Acidente Vascular Cerebral – AVC)
O AVC, popularmente conhecido como “derrame”, é uma das principais causas de morte e a maior causa de incapacidade no Brasil. Ele pode ser isquêmico (obstrução de um vaso) ou hemorrágico (rompimento de um vaso).
O Olhar da Enfermagem:
A reabilitação de um paciente pós-AVC é um processo longo e doloroso. Por isso, a prevenção é o melhor caminho. O tempo é o fator crucial aqui: “Tempo é cérebro”. Identificar os sinais rapidamente pode salvar a vida e as funções motoras de alguém.
Estratégias de Prevenção:
- Monitoramento da Glicemia: O diabetes não controlado danifica os vasos sanguíneos cerebrais.
- Controle do Estresse: O estresse crônico eleva o cortisol e a pressão arterial, fatores de risco para o rompimento de vasos.
- Check-up Cardiológico: Arritmias, como a Fibrilação Atrial, podem soltar pequenos coágulos que viajam até o cérebro.
- Redução do Álcool: O consumo excessivo de bebidas alcoólicas está diretamente ligado ao aumento da pressão intracraniana.
3. Neoplasias (Câncer)
O câncer é um conjunto de mais de 100 doenças que têm em comum o crescimento desordenado de células. No Brasil, os tipos que mais causam óbitos são os de pulmão, mama, próstata e colorretal.
O Olhar da Enfermagem:
Na oncologia, aprendemos que o diagnóstico precoce é a linha que divide a cura do tratamento paliativo. O medo do diagnóstico muitas vezes afasta as pessoas do consultório, mas enfrentar o exame preventivo é um ato de coragem e amor próprio.
Guia de Prevenção e Rastreamento:
- Câncer de Mama: Autoexame mensal e mamografia anual para mulheres acima dos 40 (ou conforme orientação médica).
- Câncer de Próstata: Exame de PSA e toque retal para homens a partir dos 50 anos (ou 45 se houver Câncer de Próstata: Prevenção, Diagnóstico e Tratamento em 2025histórico familiar).
- Câncer de Pulmão: A regra de ouro é não fumar. O fumo passivo também é extremamente perigoso.
- Câncer Colorretal: Dieta rica em fibras e realização de colonoscopia conforme indicação etária (geralmente a partir dos 45 anos).
- Proteção Solar: O uso de filtro solar previne o câncer de pele, o mais comum no país.
4. Doenças Respiratórias Inferiores (DPOC e Pneumonia)
A Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica (DPOC), que inclui a bronquite crônica e o enfisema, e as pneumonias graves são responsáveis por milhares de internações e óbitos anuais, especialmente entre idosos.
O Olhar da Enfermagem:
A falta de ar é uma das sensações mais angustiantes que um ser humano pode sentir. Como enfermeiros, trabalhamos intensamente na higiene brônquica e na oxigenação, mas vemos que muitas dessas crises poderiam ter sido evitadas com vacinação e cuidado ambiental.
Medidas Preventivas:
- Vacinação em Dia: As vacinas contra a Gripe (Influenza) e contra a Pneumonia (Pneumocócica) são essenciais para grupos de risco e idosos.
- Ambientes Ventilados: Evite o acúmulo de mofo e poeira, que são gatilhos para inflamações pulmonares.
- Hidratação: Beber água ajuda a manter o muco respiratório fluido, facilitando a expulsão de impurezas e bactérias.
- Cessação do Tabagismo: O pulmão tem uma capacidade incrível de recuperação, mas o dano contínuo do cigarro é irreversível após certo ponto.
5. Diabetes Mellitus e suas Complicações
O diabetes por si só pode não ser a causa imediata escrita em todos os atestados de óbito, mas ele é o “vilão por trás das cortinas”. Ele leva à falência renal, amputações, cegueira e agrava todas as doenças cardiovasculares mencionadas anteriormente. Diabetes: Como Prevenir
O Olhar da Enfermagem:
O cuidado com o pé diabético e a monitoração da insulina são rotinas constantes na enfermagem. O diabetes exige disciplina. O paciente que entende sua doença e adere ao tratamento consegue viver tão bem quanto qualquer outra pessoa.
Como Prevenir e Controlar:
- Redução do Açúcar Refinado: Evite refrigerantes, doces processados e farinhas brancas em excesso.
- Manutenção do Peso Corporal: A obesidade abdominal está intimamente ligada à resistência à insulina.
- Exames de Rotina: A hemoglobina glicada é um exame simples que mostra como esteve seu açúcar nos últimos três meses.
- Educação em Saúde: Aprender a ler rótulos de alimentos é uma habilidade vital para quem quer prevenir o diabetes tipo 2.
O Papel da Enfermagem na Prevenção: Por que nos ouvir?
A enfermagem é a ciência do cuidar. Enquanto a medicina muitas vezes foca no diagnóstico e na cura, a enfermagem foca no processo de viver. Nós estamos ao lado do leito, nas unidades básicas de saúde e nas visitas domiciliares.
Nossa visão sobre prevenção é baseada na realidade prática. Sabemos que não adianta prescrever uma dieta impossível de seguir ou um exercício que não cabe na rotina do trabalhador brasileiro. Por isso, defendemos a prevenção possível: aquela que começa com pequenas trocas, com a conscientização e, principalmente, com o acolhimento.
Dicas de Ouro da Enfermeira para sua Rotina:
- Ouça seu corpo: Dor, cansaço persistente e mudanças no hábito intestinal ou urinário não devem ser ignorados.
- Seja protagonista da sua saúde: Não espere ficar doente para procurar um profissional. A consulta de enfermagem na atenção primária é uma excelente porta de entrada para o autocuidado.
- Cuidado com as “Fake News” de saúde: Chás milagrosos e dietas restritivas demais costumam causar mais danos do que benefícios. Confie na ciência.
Conclusão
As doenças que mais matam no Brasil têm um ponto em comum: elas são, em sua maioria, influenciadas pelo nosso estilo de vida. Infartos, AVCs, cânceres, problemas respiratórios e diabetes não são sentenças inevitáveis. Elas são sinais de que precisamos recalcular a rota do nosso cuidado diário.
Prevenir é um ato de liberdade. Ao cuidar do seu coração, dos seus pulmões e do seu metabolismo hoje, você está garantindo que, no futuro, terá autonomia para brincar com seus netos, viajar e desfrutar da vida sem a dependência de máquinas ou internações frequentes.
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